Mapa Mental

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Bert Hellinger [topo]

bertBert Hellinger nasceu na Alemanha em 1925, participou da 2ª guerra mundial como soldado, combatendo pela Alemanha. Foi preso pelos Americanos. Depois da guerra começou a trabalhar como
missionário da igreja católica na África por dezesseis anos. Ele atuou durante o regime do Apartheid na evangelização e alfabetização de tribos Zulus onde teve contato com os rituais de culto e o reverenciar aos ancestrais. Esta prática de alguma maneira, conforme ele reconheceu no começo da pratica das constelações, o influenciou neste trabalho.
Retornou à Alemanha e estudou gestaltterapia; após dois anos de estudos, deixou sua ordem religiosa e se tornou psicoterapeuta. Formou-se em psicanalise, estudou diversas teorias psicoterapêuticas: terapia primal, de Arthur Janov; análise de estórias, de Eric Berne, análise transacional, hipnoterapia. Nos anos 1970, teve contato com o trabalho de Virginia Satir, encantando-se pelo fenômeno da representação familiar desenvolvido por ela (que se passou a chamar de “escultura familiar”). Começou, então, a refletir sobre a consciência e as forças que atuam nos grupos familiares. Sintetizou diversos conhecimentos adquiridos pela prática neste trabalho único chamado Constelação Familiar, hoje conhecido no mundo inteiro.

Ciência [topo]

Podemos considerar as Constelações Sistêmicas como ciência universal, baseada na observação pratica de fenômenos da natureza humana, realizada em milhares de casos de terapia e constelações familiares. A partir desta observação foram formuladas leis que atuam nas “ordens do convívio humano, começando pelas relações familiares, ou seja, as relações entre homem e mulher e entre pais e filhos, incluso a sua educação, indo para as ordens do trabalho, na profissão e nas organizações, até as ordens entre grupos abrangentes como no caso de povos e culturas. Ao mesmo tempo é uma scientia universalis sobre as desordens, que levam aos conflitos no convívio humano, as quais separam as pessoas ao invés de uni-las. Estas ordens e desordens se transferem ao corpo. Elas desempenham um importante papel no caso de doenças e da saúde física, anímica e espiritual.” Esta ciência recebeu o nome de Hellinger sciencia® pelo próprio Hellinger e assim registrada por ele ser, que é quem descobriu estas leis. São leis cientificas como as leis da Natureza, como a Lei de Atração Das Massas do Newton e as leis que regem o movimento os astros. São leis que aceitamos implicitamente porque as verificamos na pratica do dia a dia.

Filosofia de Vida [topo]

Podemos também chamar as Constelações Sistêmicas de filosofia de vida. À medida que nos conhecemos esta abordagem pela vivencia, algo se transforma em nos e passamos a observar o mundo de forma diferente, e com uma organização da nossa percepção diferenciada. A nossa visão se torna sistêmica e passamos a ver os grupos humanos como sistemas que tem uma organização interna, a família principalmente se mostra para nos como um grupo organizado, e passamos a ter um olhar fenomenológico. Enxergamos a realidade como ela é de fato, sem pensamentos preconcebidos, sem julgamento e com isto adquirimos uma isenção total vendo a vida em toda a sua riqueza e multiplicidade, os sentimentos os movimentos dos membros da nossa família, o lugar que ocupam e os múltiplos destinos. Isto causa uma mudança qualitativa em nos, trazendo para a nossa existência um fluir com mais leveza e mais compreensão. Com isto as relações humanas adquirem novos significados. Então esta filosofia é transformadora nos nossos sentimentos, na forma de pensar e na nossa percepção do mundo.

Vivência transformadora [topo]

Por isto tudo se pode dizer que a constelação familiar é uma vivencia transformadora. Começamos a pressentir que existe algo que chamamos de campo, um campo de força. Passamos a ver as forças que atuam dentro da família, ver as forças que atuam em uma sociedade, as que atuam em uma organização como no nosso trabalho e as forças que atuam nos países e no mundo de uma forma geral. Esta vivência nos transforma por dentro, porque reestrutura o nosso eu de uma forma saudável. Passamos a ver nossos pais como pais, nossos irmãos como irmão e os nossos parceiros como parceiros tudo dentro da ordem natural.

OBJETIVOS

Auto Conhecimento [topo]

A psicoterapia tradicional assim como outros métodos de autoconhecimento, psicanalise, eneagrama etc.… conseguem ver o ego do ser humano como o de um individuo isolado e sem a percepção das interações e influencias do meio em que ele vive: a família. As psicoterapias tradicionais conseguem tornar consciente uma parte da personalidade do individuo, em torno de 50% pela avaliação de alguns estudiosos, o restante que é na realidade uma percepção transgeracional da formação do caráter fica oculta. Temos uma historia de vida que remonta a varias gerações, é a historia da nossa família de origem com todos os acontecimentos como acidentes guerras, estigmas raciais e outros.

Libertação dos emaranhamentos [topo]

Outro objetivo é a libertação de emaranhamentos antigos formados muitas vezes por repetição de doenças familiares, por lealdades ocultas que amarram o sujeito ao destino de outros membros, que podem até serem antepassados excluídos ou não reconhecidos pela família. Este emaranhamento com o destino de outro membro impede a pessoa de realizar o próprio destino dela. Este é o que podemos chamar de ser preso por lealdade a um amor cego e não ser tomado por um amor iluminado, compassivo e libertador.

O Equilíbrio do Sistema [topo]

Nos sistemas orgânicos, tais como o corpo humano ou a família (por oposição a uma máquina como um automóvel), o sistema trabalha para manter o equilíbrio. Este processo chama-se de homeostases. Nesta situação, a sobrevivência do sistema tem prioridade sobre a sobrevivência das partes que o compõem. Todavia para manter este equilíbrio constante, às vezes um membro da família precisa pagar um preço caro no destino dele, até pela própria vida. Trabalhando uma melhor postura da pessoa, obtém se muitas vezes um rearranjo geral das posturas dos outros membros; ou seja, encontra se um novo equilíbrio mais saudável para o todo e para todos. Quando um dos membros inicia um novo movimento ou uma nova postura, o sistema como um todo se reposiciona e se reordena. Muitas vezes isto acontece desfazendo o emaranhamento de um amor mal colocado. Isto pode ser um novo passo na evolução da família em direção a um lugar mais saudável. A Alma da família que é também chamada de campo do sistema se faz presente durante o trabalho de constelação e se apresenta para toda uma solução que vai reparar o que precisa ser reparado na família.

AS LEIS

O Pertencimento [topo]

Através de milhares de constelações realizadas, Bert Hellinger observou a existência de leis que regem as relações e interações entre os membros da família. Estas leis são leis naturais, como as leis da matemática ou da física, como todas as leis da Natureza elas são incontestáveis e sempre presentes nos sistemas familiares. Podemos até não aceita-las ou se revoltar contra elas e assim mesmo elas continuarão agindo do mesmo jeito. Da mesma maneira que todos os homens são mortais e que todo objeto é atraído ao chão pela lei da gravidade, todo ser que pertence a uma família não pode deixar de pertencer a ela, esta é a lei do pertencimento. Mesmo que os membros do sistema familiar tentem excluir alguém da família, seja porque ele cometeu um crime grave ou expos à família a uma vergonha, ou assassinou alguém, a consciência ou alma da família, sempre vai procurar trazer de volta a pessoa, fazendo com que outro membro, que pode ser um descendente siga o mesmo destino da pessoa excluída.

O EQUILÍBRIO DO DAR E RECEBER [topo]

Esta lei diz que para que uma relação entre duas pessoas flua de forma leve, é preciso que tudo de bom que um dá ao outro, seja retribuído de forma igual. Dá mesma maneira se um causa algum mal ou dor ao outro terá que lhe conceder o direito de se vingar do mesmo tanto para que a relação possa seguir. Este mesmo equilíbrio tem que existir em todas as relações, as de casa, de irmãos ou de amigos. Se um mal ou um prejuízo não é reparado, ele poderá reaparecer para ser reparado por um dos descendentes que terá que trazer o equilíbrio ao sistema novamente.

A ordem [topo]

Existe uma ordem hierárquica na família que é a ordem de chegada, ou seja uma ordem cronológica. Como o homem e a mulher chegam ao mesmo tempo na união do casal, eles ocupam o mesmo lugar na hierarquia, na sequencia vem o primeiro filho e depois o segundo filho e assim sucessivamente. Desta maneira também, a primeira esposa tem precedência sobre a segunda esposa e por isto tem que ser reconhecida e reverenciada como tal. Os membros da família são unidos pela força do amor, assim o homem ama a esposa e vice versa e os dois amam os filhos que por sua vez os amam e se amam entre se. Então nos observamos que como o sistema planetário solar a força da gravidade une os planetas e os mantem a certa distância se movendo em torno do Sol, no sistema familiar é a força do Amor que sustenta e mantem as relações entre os membros da família.

O MÉTODO

As Esculturas Familiares [topo]

Precursora do Bert Hellinger, Virginia Satir descobriu um método de investigação das interações na Família: a Escultura Familiar. É descrita como uma técnica básica de terapia familiar que se combinou com a teoria dos sistemas, que estava numa crescente compreensão naquela época. Isto foi considerado como um método eficaz de combinação do conhecimento com a experimentação, posicionando fisicamente os membros da família, tal como os vê o cliente, de forma a conseguir o objetivo de dar uma nova imagem da família. Inversamente às Constelações Sistémicas, a técnica da escultura familiar permite ao cliente fazer esculturas das posturas físicas dos diversos representantes. Por exemplo, o cliente pode pedir a um representante que se ajoelhe, que volte a sua cabeça ou estenda os seus braços. Apesar disto a influencia desta técnica é nítida no trabalho de Bert Hellinger.

O PSICODRAMA [topo]

Outro trabalho que inspirou o Bert Hellinger é o Psicodrama do Jacob Moreno. O psiquiatra Jakob Moreno foi o pioneiro na terapia sistêmica dramatizada. Nos anos 30, começou a brincar de teatro de improvisação com seus clientes e denominou a sua abordagem de psicodrama. Dessa forma, introduziu uma ideia totalmente nova de terapia e contrapôs essa encenação, uma espécie de teatro, ao contexto individual comum, estático, da psicanálise daquela época. Moreno trazia espectadores que logo se tornavam participantes do jogo e, assim, colocava os problemas e sofrimentos dos pacientes num espaço público, no qual o potencial criativo de todos os presentes se desenvolvia. Seu interesse não estava mais direcionado somente às pessoas do passado, mas conduzia a atenção do cliente para as suas ações e interações com outros no presente. A descoberta surpreendente que ocorreu, é que os representantes das pessoas da vida real, à medida que entravam em cena, tinham os mesmos sentimentos, reações e movimentos que as pessoas que eles representavam. Com isto o psicodrama se mostrou um valioso instrumento de investigação e de solução de problemas e emaranhamentos.

A ABORDAGEM

Sistêmica [topo]

A maioria dos princípios que sustentam o trabalho de Constelações Sistémicas foi descrita claramente por terapeutas familiares a partir da década de 1960. A teoria básica de terapia familiar derivou principalmente da teoria dos sistemas e da cibernética. Ludvig Vom Bertalanfy introduziu a teoria geral dos sistemas para as ciências sociais e para a psicologia durante a década de 1960. Isto levou os terapeutas familiares a desenvolver a ideia fundamental de que a família é uma unidade interativa afetada pelas gerações passadas e opera segundo um conjunto de princípios unificadores, que incluem as seguintes ideias:

• O todo é maior que a soma das suas partes. Desta forma um corpo humano vivo é mais que simplesmente os seus órgãos e membros. Similarmente, uma família ou organização é mais do que simplesmente uma quantidade de membros agrupados. Também depende de como estão unidos e de como interatuam.

• Todos os elementos de um sistema são interdependentes. Alterações num elemento resultam em alterações em todos os outros.

Nas dinâmicas familiares isto é particularmente evidente, quando um membro da família é excluído. Isto pode ser causado por uma série de fatores, incluindo a vergonha extrema ou a pena. Se, por exemplo, um membro da família é excluído porque trouxe vergonha à família através de atividades ilegais, então essa exclusão tem consequências para todos os outros membros da família. Nos sistemas orgânicos, tais como o corpo humano ou a família (por oposição a uma máquina como um automóvel), o sistema trabalha para manter o equilíbrio. Este processo chama-se de homeostases. Nesta situação, a sobrevivência do sistema tem prioridade sobre a sobrevivência das partes que o compõem. Se, por exemplo, uma pessoa é exposta ao frio extremo, os seus órgãos vitais estarão protegidos, enquanto que as extremidades podem ser permanentemente danificadas pelo congelamento. Certamente que não é uma solução ideal, mas pode salvar a vida da pessoa. Do mesmo modo, nas famílias, um indivíduo pode ser sacrificado em benefício do sistema. As terapias familiares procuram, dentro da medida do possível, soluções melhores.

Fenomenológica [topo]

A fenomenologia em termos gerais é uma técnica que reconhece o que é sem opiniões preconcebidas nem pré-julgadas. É técnica muito mais difícil do que parece à primeira vista e requer prática e treino mental.

No entanto, o método fenomenológico tem estado presente nas práticas Budistas de plena consciência há 2500 anos e desenvolveu-se independentemente como um movimento filosófico ocidental a partir dos tempos de Edmund Husserl.

É uma ciência subjetiva, estuda o próprio fenômeno, o termo “Fenomenologia” provém do grego “phainesthai” que é tudo aquilo que se revela, e “logos” que significa estudo. Visa reconhecer e esclarecer o fenômeno estudado e considera a visão de um determinado sujeito espectador.

Busca-se a essência dofenomeno através do processo de redução fenomenológica, todas as coisas são caracterizadas por serem inacabadas em constante processo de modificação. A Fenomenologia é um tratado científico a respeito da descrição e classificação dos fenômenos. Ela traz uma proposta do ser humano como ele se apresenta, sem interpretações, sem uma teoria à priori. Ela vai criticar toda ciência reducionista aplicada ao homem, não dando interpretação ao que acontece, apenas esperando o que surgir do “campo”.

A Fenomenologia é então o que se revela, é o que se mostra, é um princípio de transparência onde o observador e o observado são um só, não estão separados. Cabe então, ao terapeuta ficar atento ao que o ”campo” revela para ele, “campo” este criado na Constelação Familiar, com o objetivo de perceber o fenômeno, nos abrindo para uma percepção maior. Isto pode ser mostrado através de um gesto, de um olhar, de uma palavra e o terapeuta então, percebe o que acontece naquele sistema familiar muitas vezes revelado pelo próprio “campo” e não com o que é verbalizado pelo cliente.

Campos Morfogenéticos [topo]

A teoria dos campos morfogenéticos pode explicar como se passa a “influência” do passado familiar para o descendente. Segundo a teoria, informações vividas por membros da mesma espécie ficam armazenadas em um campo invisível, o campo mórfico, e o conteúdo destas experiências ficam acessíveis posteriormente para membros da espécie, não importando o tempo do evento ou se houve ou não contato entre os membros. O aprendizado e a influência vêm pelo campo mórfico, e não pelo convívio e contato “pessoal”. O mundialmente famoso biólogo, Rupert Sheldrake, explica o que é o campo morfogenético: “Na década de 20, animados por um espírito holístico, vários biólogos, trabalhando independentemente, propuseram uma nova maneira de pensar a respeito da morfogênese biológica: o conceito dos campos morfogenéticos, embrionários ou de desenvolvimento. Esses campos seriam semelhantes aos campos conhecidos pela física, no sentido de que corresponderiam a regiões invisíveis de influência, dotadas de propriedades inerentemente holísticas, mas constituiriam um novo tipo de campo desconhecido pela física. Estariam dentro dos organismos e em torno deles, e conteriam dentro de si mesmos uma hierarquia aninhada de campos dentro de campos – campos de órgãos, campos de tecidos, campos de células… À semelhança das enteléquias, os campos morfogenéticos atraem os sistemas em desenvolvimento em direção aos seus fins, metas ou representações contidas dentro deles próprios. “Matematicamente, os campos morfogenéticos podem ser modelados em termos de atratores encerrados dentro de bacias de atração.”

Rupert Sheldrake, O Renascimento da Natureza, Editora Cultrix, pg. 114